segunda-feira, 19 de setembro de 2011

As orações a que Deus sempre responde

 "Porque em todas as situações com as quais você se deparar, terá duas alternativas de oração: 
'Pai, salva-me' ou 'Pai, glorifica o teu nome!'. Uma o deixará frustrado e desiludido, 
enquanto a outra o guiará para as maiores maravilhas do coração de Deus." 
(Wayne Jacobsen)

Qualquer coisa?

O que Jesus ensinou sobre oração parece ser incrivelmente simples: peça o que desejar e fique tranquilo, pois o Pai lhe dará. Mas isso se complica quando não entendemos o que Deus pode nos dar. Porque Ele nos decepcionaria deixando de nos conceder todas as coisas que Lhe pedimos?
Não é muito difícil entender porque Ele ignora nossos pedidos mais egoístas. Até mesmo os discípulos tiveram de aprender que o poder da oração não estava voltado para objetivos pessoais. Em vez de pedir fogo do céu, como fizeram Tiago e João, Jesus lhes ensinou que esse tipo de ideia se originava no lugar errado. E quando eles Lhe pediram que guardasse um lugar à Sua direita e à Sua esquerda no céu, Jesus lhes disse que não cabia a Ele guardar seus lugares, e que na casa do Pai as pessoas não sobrepunham às outras. Jesus nunca quis que a oração fosse uma forma de manipular Deus a fim de que Ele fizesse o que nós consideramos o melhor.
Se você analisar com cuidado as afirmações de Jesus sobra a oração, verá que elas nos colocam como participantes naquilo que Deus está realizando. Embora sejamos convidados a fazer qualquer pedido, as orações que moverão a mão de Deus são as que nascem da nossa confiança em quem Ele é e no que está fazendo.
Eu me pergunto como seria a minha vida hoje se Deus tivesse me concedido metade das coisas que Lhe pedi. Sei que ficaria perdidamente feliz a curto prazo, mas não teria a menor ideia do sofrimento que meus pedidos esgoístas causariam. E como poderia vir a conhecê-Lo como meu Pai amoroso se O tratasse como o gênio da lâmpada?
Muito mais difícil é entender porque nossas orações por pessoas que sofrem não são atendidas. Pedro agia em nome do amor quando se opôs à ida de Jesus a Jerusalém para enfrentar Seus algozes. Mesmo assim, seu pedido foi recebido com extrema reprovação, como palavras de Satã para desviar Jesus de sua missão. Pedro não entendeu o propósito maior de Deus com o sofrimento de Jesus na cruz. Para que Deus atendesse sua prece, o Mestre teria de abdicar justamente do gesto que salvaria Pedro de si mesmo. "Você é uma pedra de tropeço para mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens" (Mateus 16:23). Pedro não entendeu que sua preocupação dera voz à tentação de Satanás para fazer com que Jesus desobedecesse a Seu Pai.
Foi uma oração nascida mais do medo do que do amor de Deus, que, assim como a maioria das orações em causa própria, rejeitava o propósito de Deus, em vez de serví-Lo.

"Jesus sabia disso. Diante das duas possibilidades - 'Pai, salva-me' ou 'Pai glorifica o teu nome!' -, escolheu a última. Ele sabia que a única glória verdadeira existia somente na realização do propósito do Pai em sua vida. [...] Esta é a oração que desarma nossos interesses próprios e declara nossa certeza de que o Pai que nos criou e que nos ama tanto, nos conhece melhor do que nós mesmos."

(Trecho extraído do livro "Deus me ama: aprendendo a viver no amor do Pai", de Wayne Jacobsen)



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Oração de Jabez: Buscando por mudanças (Parte I)

  Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! 
E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido.”
(I Crônicas 4:10).


Vou compartilhar um pouco do que tenho aprendido esses dias através de uma oração simples e objetiva, mas creio que ela pode trazer efeitos poderosos para quem é encorajado a fazê-la.
Porque digo encorajado? Porque todo e qualquer ser humano, seja qual for a área de sua vida, pode apresentar certas dificuldades ao deparar-se com mudanças, ou até mesmo em tomar atitudes afim de buscá-las. Quanto a isso, Jabez nos serve como um bom exemplo...
Interessante que na Bíblia, Jabez não é relatado em muitos versículos, não possui um livro exclusivo com seu nome ou que seja de sua autoria e, muito menos, apresenta uma história extraordinária como outros homens de Deus.
Jabez aparece somente no meio da genealogia do povo de Judá no capítulo 4 do primeiro livro de Crônicas, e algo nada bom é relatado sobre a vida dele: sua mãe lhe deu esse nome por que ela o concebeu com muitas dores. 
Em outras palavras, Jabez teve a sua identidade marcada como alguém que causou dores e, provavelmente, por muito tempo continuou a levar isso dentro de si, em suas relações sociais e por onde passou.
Seu nome era sinônimo de dor. Imagine o que seria carregar esse estigma. Talvez ele ainda  possuía culpa, o sentimento de inferioridade, ou até mesmo o de rejeição, sentindo-se uma pessoa desagradável.
O que fez então Jabez se destacar e tornar-se um exemplo? Justamente por que ele foi alguém corajoso que se esforçou para mudar as circunstâncias da sua vida e história.
Nada se sabe a respeito dele: quantos anos tinha; se era casado e tinha filhos ou era um homem solitário; se era pobre ou rico. O que se sabe apenas é que ele teve uma atitude ousada de apresentar uma oração sincera a Deus. Ele expressou o desejo profundo de ter sua vida transformada.
E o resultado? A bíblia deixa claro no final do versículo 10 que Deus concedeu a Jabez tudo o que ele havia pedido, apesar de Jabez ser um exemplo extremo de uma vida que não prometia muitas coisas boas.
Talvez você não se chame Jabez... rsrsrs... Mas acredito que todos nós possamos nos identificar com essa história de alguma forma.
Em alguma ocasião podemos ter passado por circunstâncias negativas, e talvez, estas se tornaram marcas que carregamos como se fosse uma identidade. Podemos também estar estacionados e acostumados a viver do mesmo modo, como se esse fosse o único destino que nos resta. Talvez não tenhamos sonhos ou forças para almejar coisas maiores e melhores.
E convenhamos, que talvez seja muito mais confortável permanecermos do mesmo modo em nosso “mundinho”, fazendo as mesmas coisas, tendo a mesma programação em nossa agenda, convivendo somente com as mesmas pessoas, tendo a mesma postura, os mesmos sentimentos, as mesmas mágoas, as mesmas dores, os mesmos hábitos e comportamentos (ainda que esses nos levem à infelicidade). 
Simplesmente fazendo da nossa vida um casulo “confortável”, qualquer sinal de mudança pode ser sim, ameaçador. 
Se por um lado ficamos “confortáveis”, por outro, perdemos as chances de viver em novidade de vida e ficamos presos em nossos limitados planos, sonhos e expectativas. 
Acredito que o mais interessado em nos sacudir é o próprio Deus. Fico imaginando como o coração Dele deve ter saltado de alegria ao ouvir Jabez suplicando por ter sua vida transformada, querendo não ser mais um que permanece agarrado à mesmice e aceita destinar-se às suas infelicidades.
Imagino também, como Deus reage quando eu e você recorremos à sua ajuda soberana.
Mas por outro lado, penso como o coração de Deus deve se entristecer quando ele nos vê vivendo aquém dos planos Dele, ou quando estamos pautando a nossa vida em tudo aquilo que achamos ser o melhor.
Talvez ele até dê algumas risadinhas de nós (não nos ridicularizando), mas pensando carinhosamente: Ah! Se você soubesse tudo que eu tenho para você, ou se você enxergasse pelo menos um pouco além do seu próprio horizonte, veria coisas lindas e abriria mão de tudo o que você julga e acredita ser o melhor!
Que possamos nos inspirar na vida desse homem e na oração que ele fez; que sejamos encorajados a libertarmos do nosso casulo "confortável" e sobrepor nossos próprios limites.
Deus abençoe a todos!

domingo, 3 de abril de 2011

Tempo de calar... (Eclesiastes 3:7)

A vida nos oferece muitas situações onde simplesmente as palavras nos faltam. Às vezes não sabemos o que dizer e nem como dizer. Não possuímos as respostas para todas as perguntas. Muitas vezes não sabemos o que dizer nem para nós mesmos e isso dificulta qualquer possibilidade de autocompreensão.
Reconhecemos também que não há ninguém da natureza humana que consiga nos decifrar e escutar quando nossa alma silencia. Nesses momentos podemos entender o que significa estar sozinhos dentro de nós.
O silêncio é simplesmente perturbador. O ser humano em geral tem dificuldades em lidar com a falta de palavras que por vezes surpreendem. É verdade que fomos acostumados a falar demais, a escutar pouco, a sermos cercados de sons, palavras, músicas e gargalhadas. Por isso, não somos muito habilidosos para decifrar os silêncios que surgem, e quando isso acontece, logo procuramos meios de nos ocupar e nos distrair de todo e qualquer incômodo. Nos alimentamos de muitos barulhos que não permitem um encontro a sós com o nosso interior.
Confesso que já me surpreendi em silêncio com Deus, sem saber o que falar para Ele. Evitando orações automáticas de frases feitas, nesses momentos decidi simplesmente não falar nada. Creio ser este o aspecto mais complicado do silêncio, pois religiosamente somos levados a pensar que orar é falar desesperadamente, e quanto mais horas passamos falando com Deus chegamos a um nível maior de espiritualidade. É claro que existe o tempo de falar, e também precisamos muito dele.
Mas a questão é: e quando o silêncio atinge nosso relacionamento com Deus?
Percebi que momentos de silêncio fazem parte de todo e qualquer relacionamento humano. Tenho como exemplo meu relacionamento com minha melhor amiga: às vezes conversamos muito e falamos sem parar, mas de vez em quando, o assunto simplesmente acaba e o silêncio se faz presente. Logo uma de nós se manifesta e pergunta: o que você está pensando?
Penso que isso não é diferente quando se trata do nosso relacionamento com Deus. Ele é o maior interessado em saber o porquê de nossos silêncios. Deus não está interessado em palavras superficiais que não dizem nada sobre nós mesmos. Ele quer ouvir o mais profundo do nosso coração.
E tenho aprendido que não preciso me preocupar quando não sei ou não tenho o que dizer pra Deus, pois Ele ouve o silêncio da nossa alma. Como disse Davi: ainda que as palavras não nos cheguem à boca, Ele já conhece todas elas.
Entendi que o meu silêncio também é minha oração, pois através dele posso dizer muito mais que palavras. Com o silêncio digo pra Deus que não tenho a compreensão que eu preciso, não tenho as respostas para tudo, estou sem forças, cheguei até onde meu limite poderia permitir. Enfim, reconheço que sou totalmente dependente Dele e não há nada que eu possa fazer.
E o mais lindo de tudo isso é que Deus respeita nosso silêncio, Ele nos dá tempo, Ele compreende o momento que estamos passando.
Nos últimos dias tenho refletido bastante a respeito do silêncio e tenho reconhecido que nele há algo bastante valioso. Salomão em toda a sua sabedoria afirma que há um tempo para todas as coisas, inclusive há o tempo de se calar. Creio que há grande importância de vivermos vez por outra esse tempo.
O silêncio é uma oportunidade de ouvir o que se passa do lado de dentro, compreendermos, ouvir-nos, saber quem somos. E mais importante, o silêncio permite um encontro a sós com Deus, e possibilita que Ele nos fale sem nenhuma interferência.
Portanto, que possamos aprender a desfrutar do tempo de calar. Que o silêncio seja lição para a vida quando nada mais for suficiente e seja a oportunidade de encontrar a presença de Deus.
Que aprendamos a cada dia a discernir os tempos e as estações que a vida nos oferece.
Deus nos abençoe!